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UM PASSEIO PELO (NOME DO) MUSEU

Comecemos lá pelo meio: pela imagem. O MIIAC é um museu da imagem. Mas, mais do que um museu da imagem é uma máquina de pensar a imagem – desde a raiz: o que é, para que (nos) serve, como funciona isso que nomeamos « imagem »? Esta pergunta define um território contaminado, onde não se encontra, só, a « arte », partilhe ou não o nosso tempo, mas tudo aquilo que fica fora, à partida, mesmo que lá entre à chegada, do conjunto que o rótulo « arte » define. Imagens artísticas e imagens não artísticas, de autor ou anónimas, pessoais ou institucionais, íntimas ou públicas… Origens, suportes, géneros, tempos – diversos. Imagens de pessoas, imagens de objectos, imagens de imagens. O que é que as imagens fazem aos objectos – e o que fazem os objectos às imagens? A imagem do século XX foi fotográfica – a do início do XXI é digital. A fotografia do século XXI é digital: bem como os meios de a armazenar, conservar, restaurar, catalogar. Tarefas do Museu – o que faz a fotografia ao museu? E o Museu à fotografia?

Voltámos ao início – do nome: Museu Improvável. No adjectivo está a utopia heróica e globalizadora do Malraux do « Museu Imaginário » e o seu avesso, « tópico », porque com lugar, o lugar próprio dos objectos antes de apropriados pelas imagens e pelos museus, avesso para o qual Georges Duthuit somente pôde pensar um referente « Inimaginável ». Lugar. Não-lugar. Mesmo imaginário, ou improvável, o que faz o museu àquilo que recebe? Não tem o museu, como as fotografias que povoavam o imaginário espaço museológico de Malraux, a obsessão por transformar tudo em imagens? Nem que seja porque transforma aquilo que recebe em realidades, apenas, visuais? Ver, mas não mexer – nem, sequer, ver de muito perto: lá atrás da linha vermelha. Se o readymade duchampiano transforma tudo em arte potencial e a fotografia transforma qualquer objecto na sua (dele) própria imagem, o museu transforma em imagem e em arte – ou, ao menos, em exemplar de excepção que mereceu guarida entre as musas.

E chegamos ao fim de um nome: a « arte », aquela que connosco partilha o tempo – a contemporânea. O MIIAC é uma máquina que trabalha a imagem, a arte e o tempo. Toda a imagem tem tempo – muitos tempos: do tempo em que o objecto era igual à sua imagem até ao tempo que dura olhar a imagem. O que faz o espaço de um museu ao tempo? E o que fazem as imagens ao(s) espaço(s)?

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 Vista das galerias do Museu / View of the Museum’s galleries

 

Projecto do Museu (cortes longitudinais) / Museum Project (longitunal sections)

Planta 01